pinga-fogo

Das (des)vantagens de ser chata

  Não tem jeito: chegamos a um momento social-histórico-político-filosófico que provoca as piores – ou melhores, depende do ponto de vista – discussões. Mentira. Isso já deve acontecer há muito tempo. Porém, agora, com a potencialização das redes sociais, tudo se tornou absolutamente passível de discussão a qualquer tempo. E é impossível que haja isenção […]

Heroína

Desafetos eram o ponto de partida. O dia foi cheio com polícia, muro, suor, miolo quente, morro, bate-boca, gritos, perdões, e Vulto queria dormir, embora fosse impossível antes das 4h. Havia separado toda a mercadoria para M.F. buscar, antes que ele mesmo fizesse o serviço. “Ser mula nunca mais”, falava para si, dono de uma […]

Já que sou aquariana

Os aquarianos não têm inferno astral, disse Joanna, que entende de aquarianos como ninguém. Ela deve entender também que, para um aquariano, inferno astral sequer existe. Ao que parece, paraíso astral tampouco. E o que acontece então? Dentro de todo um campo astral complexado, ser aquariano parece contradizer forças esotéricas e tudo o que se conspira […]

Quem sabe isso quer dizer amor (ou: eu não sei falar de amor)

Parece-me fácil viver sem ódio. Sem amor, acho impossível. A frase atribuída a Borges podia virar hino. Talvez mais de oitenta por cento das canções que nos rodeiam tematizam o amor, por isso fiz questão de colocar uma delas no título deste texto. Nelas, o amor é bonito, chato, brega, triste, incrível, doloroso, embora eu […]

Calma. É só saudade.

De tudo o que pode haver entre os dias, as pessoas e as mudanças, só a insistência deveria tomar conta. A insistência para um abraço, a insistência de mais uma hora, mais um copo, mais ligações… Só mesmo isso para ter sobre o tempo qualquer estrutura, senão a ruína. Mas nem isso nos preenche, nem […]

Dos limites: uma ponte, dois pontos

Vitória, minha amada e amante Vitorinha, sempre foi o palco com holofotes. Todos os verbos no infinitivo funcionam em Vitória, exceto morar. Foi lá que conjuguei todos os verbos também, mas voltei sempre pra vila, a Vila Velha. Daí que a rotina, desde então, é essa: atravessar a ponte, ver Convento de um lado, Ilha […]

Posso querer?

Eu não queria, mas aconteceu. De mais a mais, fui querendo. Agora: é tudo o que eu quero. Vieram os freios, as embreagens, as trocas de óleo. E as curvas. Continuei a querer. Mas nunca quis sozinha, portanto o motor esfriou. Ou melhor, devo ter querido sozinha, por isso. Das perguntas, a melhor é se […]