crônica

Para temer

Em 2012, à época das Olimpíadas de Londres, esbarrei em Michel Temer em uma galeria chiquérrima da capital inglesa. Eu estava a passeio, com poucos tostões no bolso para voltar para casa. Ele estava a negócios, mas deu uma passadinha na loja mais cara que havia para levar uma bolsa a sua esposa bela, recatada […]

Das (des)vantagens de ser chata

  Não tem jeito: chegamos a um momento social-histórico-político-filosófico que provoca as piores – ou melhores, depende do ponto de vista – discussões. Mentira. Isso já deve acontecer há muito tempo. Porém, agora, com a potencialização das redes sociais, tudo se tornou absolutamente passível de discussão a qualquer tempo. E é impossível que haja isenção […]

Estar nas ruas

É a angústia que preenche a vontade de estar nas ruas em um momento como este. Há três dias, tenho cautela ao escolher a cor da minha roupa. Entre outras coisas que li nos meus livros de história ou que meu pai e meus professores fizeram questão de relatar sobre os anos da ditadura – […]

Pouca mala

A poltrona de espera não é nada confortável. Pior do que isso, é dar-se conta de que o tempo pinga em conta-gotas: ficarei por muito mais. Dormir no aeroporto pode parecer pouco, mas a sensação de gente indo e vindo e entrando e saindo e passando é de angustiar. Porque se quer ir também, mas […]

O Carnaval e suas máscaras

Costumo dizer que sou filha do Carnaval, mas porque nasci nesta época. Nasci e cresci ouvindo folia e posso até dizer que isso contribuiu para um determinismo do meu próprio ritmo de viver. Não sei sambar. Sou dura como um pedaço de pau quando me chamam para a pista de dança. Decepciono qualquer gringo que […]

Águas do tempo

Um ano que vai desbotando-se com o passar dos dias encontra obstáculo por um ou outro acontecimento, como um tronco à frente da corrente d’água, mas, ainda assim, a água vai-se escorrendo pelos lados, abaixo, acima, pois é a lei das correntezas. Seu curso que segue rápido, assim é o natural das rotinas, e quase […]

Os donos de sonhos

Na semana passada, ouvi de duas pessoas que minhas crônicas são sensíveis e minhas palavras sutis. Nesta, não há como investir sutileza. É impossível verbalizar com esmero para dizer sobre a morte de Adílio nos trilhos de um trem no Rio de Janeiro. Mais ainda quando se sabe que, após ser atropelado, outro trem foi […]