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Segunda-feira

Acordo desperta, como se não fosse segunda.
Acordo ainda um sentimento de remorso – é um passado tão distante
como desculpar-me comigo mesma pela lembrança?
Necessitou-se revirar o inconsciente?
De que maneira? Dessa mesma que me abre os olhos no susto?
Teria eu sonhado com os escombros de mim a ponto de reviver tudo,
um arrependimento meio fino e meio mudo
lá dos confins de uma infância pouco coerente até então?
Até então por que estaria diante de epifanias caídas em gotas
de fogo no céu, como se me queimassem – pouco a pouco?
Busco fontes, endereços, fotos, nada me diz qualquer coisa.
Afogo-me nas gotas ainda mais, que vão queimando partes,
despedaçando peles, encobrindo a cara de cansaço insone.
Piso forte no caminho e marco no relógio o tempo da corrida
já que tenho anestesia até nos olhos, nos pelos, nos tênis.
Não tenho mais nada porque não me cabe, transbordo, enfrento,
nem choro e quero e tento a vida após essas pequenas mortes.
O chocolate, por exemplo, que aqui dissolve amargo na língua
não significa nada, mas, diante do corpo ensopado de mais amargo,
deixo o dia sem saída: arranco a página da agenda, engulo como
gafanhoto vivo que luta, bate as asas e desfaz a linha de partida.

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