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Das (des)vantagens de ser chata

 

Não tem jeito: chegamos a um momento social-histórico-político-filosófico que provoca as piores – ou melhores, depende do ponto de vista – discussões. Mentira. Isso já deve acontecer há muito tempo. Porém, agora, com a potencialização das redes sociais, tudo se tornou absolutamente passível de discussão a qualquer tempo. E é impossível que haja isenção pessoal em algumas das oportunidades de trabalhar o próprio discurso. Você pode até resistir a uma ou outra conversa, deixar sua opinião de lado ou pra depois, mas há de haver a hora de se impor.
Menos por ideologia que por discordância por qualquer motivo, a língua coça, os dedos tremem, a ansiedade aumenta. O acúmulo de ódio, por muitos. Mas é a hora de dizer “espera aí, foi isso mesmo que você disse?”. Frases e frases vomitadas diariamente podem ser rebatidas assim, assado, mas, a depender do teor da má intenção e indução, precisam deixar de ser ditas. Daí, o mundo deixa de ser tão legal, tão divertido, tão bacana. Uma tristeza sem fim para quem gosta de fazer o papel engraçado e se vale, por causa disso, dos oprimidos como instrumento, bem como dos vastos discursos cuspidos com o veneno do preconceito.
Muita gente largou disso. Gostava, não gosta mais. De disseminar esses discursos, digo. Isso porque deixar de pensar, de fato, já é exercício muito poderoso que um dia, quem sabe, consegue êxito. Mas por que deixava? Porque o mundo está realmente muito chato. Tudo o que se fala é relativizado, discutido, problematizado. Quanta gente sem nada pra fazer! Ou pior: quanta gente sem senso de humor! Mal conseguem rir com aquela piada de preto no barraco, de mulher no volante ou de viado escandaloso. É, realmente, uma chatice viver assim.
Se esse gostar está agora no pretérito pra muita gente que se justifica no blábláblá e mimimi; se não há mais graça em contar piada, zoar o amigão; a vitória do banimento de discurso já é muito, ao menos utopicamente. Os sem-vozes, sem dúvida, resolveram falar. E, falando, desencadeiam uma série de outras falas e discussões. Ir a fundo no debate é muito doloroso? Tudo bem. O silêncio é, ainda, a melhor opção quando se precisa refletir. Mas deixe-nos falar. Os chatos e mimimizentos somos insistentes quando se é preciso pensar nos inúmeros discursos que se formaram e nos formaram ao logo de deste caminho. Até aqui, tanta coisa deixada pra trás. Como ficar quieto diante dos problemas? Aprendi que enfrentamento é a palavra. Se isso é ser chato, que assim seja. Amém.

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